O poder do silêncio

Eu acredito no poder do silêncio.

Aprendi a acreditar ali atrás, umas duas ou três esquinas antes.

Até chegar aqui andei por vários caminhos e, em todos, algum barulho me incomodava.

A princípio nada grave, mas, de repente, lá estava eu, tentando não prestar atenção aos incômodos.

Talvez fossem meus ouvidos desenvolvendo maestria. Porque, à medida que aquietava, os incômodos diminuíam, e o que eu ouvia se multiplicava.

Seguindo adiante, senti recuperar minha capacidade de ver (sim, eu uso óculos), especialmente o que vinha de dentro.

E vou te dizer: essa conexão entre os sentidos é mesmo algo de poder, porque daí ao sentir foi um pulo. Aliás, deveriam sempre andar de mãos dadas.

Quando chegou ao coração, remexeu tudo: fui capaz de ouvir, sentir e ver, tudo de uma vez.

É um negócio maluco!

Leva tempo e faz a gente entrar em surto.

Nessa hora é aguentar, segurar a onda! Logo, logo a alma volta a respirar e se aviva como nunca.

A mente fica tentando entender o que se passa. E disso tenho convicção: ela gosta mesmo é de atrapalhar.

Para entrar nos eixos de novo voltamos a ele — o silêncio. Exige esforço para colocar em prática, mas acredito, de verdade, que vale cada minuto.

Por aqui, a prática nem sempre atende aos desejos, mesmo assim, o sol tem brilhado mais pelo caminho, respirar tem fluído com mais facilidade e sempre vejo algumas flores a me acompanhar.

O ideal de vida que você chama de seu

Sobre saber o que você quer, o que acha que controla e a grama do vizinho

Descobri isso recentemente — que ideais de vida podem ser uma roubada!

Para alguns esses ideais já são criados lá atrás, cedo. Chegam aos 20 com a vida planejadinha e o foco é total na execução do plano. Outros vão construindo a visão ao longo do caminho.

Não sei dizer, ao certo, onde os meus ideais começaram a tomar forma. É um processo que vai acontecendo e enraizando sem a gente se dar conta. O que sei é o que acabou trazendo mais para frente: ansiedade, sofrimento e frustrações. Em situações que foram se repetindo de tempos em tempos.

Com o tempo, consegui perceber o padrão. Foi um começo. Mas daí a ser capaz de parar de brigar com o universo e tentar entender o que ele estava querendo me dizer, muita água correu por debaixo da ponte!

Vou te falar: entender os sinais é tarefa para uma vida inteira. E, antes de entender, é preciso ser capaz de enxergar; o que muitas vezes só conseguimos depois de umas chacoalhadas bem grandes… Às vezes, nem assim.

Me dei conta de que os meus ideais não vinham de quem eu sou de verdade, mas de percepções da grama do vizinho, que sempre me pareceu mais verde, convidativa e melhor de viver do que a minha.

Percebi que, o que eu queria mesmo, era que tudo fosse exatamente como eu imaginava (soa infantil, não? Mas quem nunca?), porque o que eu imaginava era perfeito, não só na minha visão, mas também na dos outros.

E, se os outros notassem que eu consegui concretizar uma vida perfeita, automaticamente o aval da perfeição seria meu também (mãe perfeita, empreendedora perfeita, dona de casa perfeita). E eu, sendo perfeita, estaria protegida de críticas, de confrontos, de julgamentos. Aprovada, segura e amada.

Assim, para seguir dentro do planejado, era só manter tudo ao redor sob controle.

Só que….

1. O plano estava baseado no ideal perfeito dos outros. Não te parece a coisa mais ilógica desse mundo? Pra não dizer burrice…

Note que esse “ideal dos outros” saiu todinho da minha cabeça, porque ninguém, em momento algum, disse sequer uma palavra ordenando que eu deveria seguir esse ou aquele modelo pré-estabelecido de vida. E faço uma aposta que você também não ouviu isso, assim, ao pé da letra. Mas, todos sabemos, as convenções são reafirmadas todo santo dia. Sem falar no pacote genético que “herdamos” sem querer.

2. Nada nessa vida é perfeito, eu sei! Juro que sei!!! Mas quem diz que isso entra no inconsciente?! Sempre fui perfeccionista, mas não tinha ideia de que tinha raízes tão profundas.

3. Controlar tudo é impossível. Eu sei disso também. E sei mais (e aposto que você também já sabe) — quanto mais você tenta, pior fica.

4. Todo mundo sabe — ou já deveria saber, a essa altura — o quanto é mais leve e prazeroso viver a vida com base na auto-honestidade. Trilhar o caminho de acordo com nossas próprias escolhas, dentro do que nos realiza de verdade…. e blá-blá-blá. Pois é… Falar é a parte fácil. Pára aí um minutinho e olha pra sua vida — você está sendo honesto consigo mesmo e fiel ao que quer de verdade? Quanto do que você escolheu realizar ou viver é seu mesmo?

Voltando aos meus ideais. Claro que eles ainda existem. Precisam existir — são eles que dão sentido ao levantar todos os dias. Se continuam os mesmos? Não. Posso dizer que estão em processo de reformulação. E isso passa por um aprendizado power: ser capaz de identificar e entender — sem medo, com honestidade e humildade (sim, precisa admitir todos os podres que vêm junto) — o que de fato é meu e o que não. Mais ainda: aceitar que sou tudo isso que vem no pacote. Que os “podres” não são podres na verdade; são sim partes de mim, que posso colocar para trabalhar em prol do meu melhor se aperfeiçoar. Integrar e não dividir (ouvi ou li em algum lugar, e adorei!).

Posso dizer que estou mais perto do que jamais estive, mas ainda tenho um bom caminho pela frente. A diferença é que agora tenho consciência de qual opinião vale à pena escutar.

Montanha russa | Sobre ser mãe … E otras cositas más

(texto originalmente publicado no Medium, em maio/2018)

 

Abril é o mês em que acontece o primeiro aniversário aqui em casa, o da Júlia, que há alguns dias chegou nos 12.

Sempre tive vontade de fazer um diário… Deixar mensagens escritas para ela e a irmã, com coisas que me vinham à cabeça nos momentos mais inusitados. Algo como ensinamentos ou lições que eu achava importante elas aprenderem na vida, mas que ainda eram muito pequenas para entenderem.

Comecei hoje!

Em minha defesa, antes tarde do que nunca!

 

Então, a primeira coisa que quero deixar registrada diz respeito justamente ao SER MÃE.

É mesmo uma montanha russa!

Não é e não pode ser tudo na vida. É uma dureza danada, principalmente no começo (estou entrando na adolescência aqui, então, talvez ainda mude de ideia sobre isso). Te vira de pernas pro ar e te enlouquece em boa parte do tempo. Mas acho um desperdício enorme passar por essa vida sem experimentar!

Lembro de comentar com as minhas amigas, antes de engravidar, que eu tinha medo de ser uma mãe egoísta, afinal, a lista de coisas que não podemos, ou não conseguimos mais fazer, é gigante…Beeem grande mesmo! E eu tinha muitas dúvidas de que fosse capaz.

Mas, lá fomos nós!

Engravidei com 29, depois de alguns hormônios ajudando, porque a coisa estava meio demorada. E, pouco antes dos meus 30, a Júlia nasceu. Para mim, foi o hora certa (pelo pai, já teríamos pelo menos dois a essa altura). O projeto todo incluía três filhos, mas rompi o acordo e paramos na segunda, porque piripaques começaram a acontecer como resultado das noites mal dormidas (uma querida de uma labirintite me acompanha até hoje).

A Alana veio um ano antes do previsto, resultado daquelas horas em que você baixa a guarda e pensa “Só hoje… Não vai dar nada!”

Pois é… Conselho de amiga: dá sim!!! De qualquer forma, ela sempre esteve nos planos, porque filho único não era uma opção. E, apressadinha e ansiosa como é, ela não teria aguentado esperar mais tempo! Então, hoje estou convicta de que também veio no momento certo!

Com a Júlia o começo foi punk! Não achei que fosse aguentar. Lembro de uma infinidade de dias chorando e brigando com o universo, pedindo explicações sobre o porquê de termos que passar por tudo que estava acontecendo (uma alergia ao leite rendeu meses de sofrimento e, depois, várias doenças foram se alternando, decorrentes dos dias na escolinha).

Quando engravidei da Alana, o que mais escutei foi “Com tudo que vocês passaram com a Júlia, vão ter mais um?”

Claro! Pior do que foi acho difícil!

E levei tudo de boa… enjoando pra caramba — igual à primeira vez — e passando por vários pequenos perrengues, igual à primeira vez. Mas tudo bem. Encarei como parte do processo e aceitei que, se tivesse vários filhos, provavelmente minhas gestações seriam todas cheias de frescura!

Depois de tudo que passei com a Júlia, já sou craque! Dessa vez vai ser bem mais tranquilo.

Só que não!

No terceiro dia em casa, a Alana teve icterícia!

E eu surtei de novo!

Como pode?? Pra mim era um erro básico! De amadora mesmo! “Como pude deixar minha filha ficar amarela? Deixei ela pegar sol todos os dias! De onde veio isso?”

Esqueci que o vidro da janela não podia ficar fechado, porque o sol precisa incidir direto sobre o corpinho do bebê.

No terceiro mês ela começou com um barulho estranho e forte na garganta, como se fizesse força para colocar algo para fora. Fui descobrir na pediatra que era uma bronquite séria e que teríamos que usar antibióticos.

Mais uma vez fiquei desolada, me sentindo a última das mães! “Três meses de vida e já precisa de antibióticos??” Eu já tinha decidido que o erro da escolinha cedo (a Júlia foi com 4 meses) não seria cometido com a Alana, mas isso não fez diferença nenhuma, porque o vírus/ bactéria da bronquite provavelmente entrou em casa trazido da escolinha pela Júlia, que a essa altura já estava mais forte e resistente, por isso não pegou.

 

Com o passar do tempo, lentamente os perrengues foram diminuindo. Mesmo assim, noites inteiras de sono só começaram a fazer parte da rotina depois dos 5 anos da Alana.

Talvez por isso eu seja uma mãe que não tem muitas saudades da gravidez. E seria totalmente a favor de curtir os primeiros dias de recém nascido em casa, mas, assim que possível, usaria o botão “pular”, para ir direito aos 4–5 anos, quando já caminham, já sabem falar onde dói, dizer se tem fome e se querer fazer xixi ou cocô.

Arrependimento?

DE JEITO NENHUM!

Um terceiro filho me dá pânico (e olha que o medo maior nem é o de já ser velha pra isso), mas as duas filhas que tenho vieram para dar sentido à minha existência! As maiores lições dessa vida aprendi com elas, inclusive a de que sou bem menos egoísta do que achava que era.

Se uma opção me fosse dada, de passar tudo de novo ou não tê-las e viver mais tranquilamente, nem piscaria na escolha.

E o que mesmo quero deixar registrado?

Que nada nessa vida é perfeito! Idealizar — eu fiz isso muito, muito mesmo, a minha vida inteira (!) — é uma grande roubada! Procurar a perfeição, no final, só nos coloca frente a frente com nossas fragilidades e imperfeições, como seres humanos, como filhos e, mais ainda, como mães!

Se você não é e não pretende ser mãe, tudo certo! Tenho várias amigas que não querem e respeito, mas preciso confessar que tenho vontade de fazê-las mudar de ideia.

Se você é mãe, respire! Respire fundo, repetidas vezes, em vários momentos do dia. Aproveite cada segundo bom e viva ele ao máximo, porque eles valem muito mais do que os não tão bons. E quando os não tão bons aparecerem de novo, use emprestado um conselho da minha mãe, que usava quase como um mantra nas horas mais difíceis:

Tudo, um dia, passa!

E quando passar, acredite (várias mães já me disseram isso): você só lembrará das alegrias.

Para Júlia | Sobre ser mãe… E otras cositas más

(texto publicado originalmente no Medium, em abril/2018)

Então, os 12!

Não vou dizer que passou num piscar de olhos porque foram 12 anos bem intensos, especialmente os primeiros.

Preciso confessar que escrevo isso com quase 12 anos de atraso porque, no projeto original, a super-perfeita-e-dedicada mãe escreveria um diário para cada um dos três filhos que estavam programados (pois é…paramos na segunda porque, de repente, só a ideia de um terceiro já era apavorante!). Seria um diário bem completinho: primeiro sorriso, primeira fruta, as primeiras palavras, os primeiros passinhos… Maaaas, é claro, muitas coisas saíram bem diferentes do que eu havia tão detalhadamente imaginado.

Nosso começo foi um pouco punk, né amor! Já contamos essa história um milhão de vezes e tenho a impressão que você não gosta muito de ouvir. Desculpe! Mas ela é marcante demais para deixar passar. Uma coisa dessas muda a vida de uma pessoa, principalmente quando somos pais de primeira viagem. E uma mãe de primeira viagem que idealizou absolutamente tudo durante a gravidez. E rezou e sonhou e pediu taaanto para você ser uma bebê calminha, tranquila e dorminhoca, que só podia dar nisso!

A gravidez teve de tudo, menos tranquilidade. O parto teve que ser com cesariana e foi prematuro. Sua primeira noite você passou na encubadora, embaixo de um respirador gigante, porque os pulmõezinhos ainda não estavam 100%. E você nasceu tão pequenininha que, quando chegamos em casa, a primeira providência foi comprar roupinhas tamanho RN (recém nascido), que ainda assim pareciam XG no seu mini corpinho com pouco mais 2,300 Kg!

Mesmo assim, passado o susto, o primeiro mês em casa foi tudo de bom! Apesar de muito mini, você estava tranquila, crescia bem e era tão linda! Linda e perfeita! Nem liguei para as dores da cesárea e ainda achei que era exagero esse negócio de não poder fazer esforço! Passei hipnotizada ao lado do seu berço, encantada, olhando cada pedacinho, cada detalhe, cada movimento, enquanto sentia a ficha cair e pensava “Ok! Agora preciso virar gente grande!”

Do segundo mês em diante entramos numa roda viva de choros desesperados e desesperadores. Médicos, exames e testes com tantos remédios diferentes que você mais parecia um ratinho de laboratório. Tudo para tentar descobrir o que fazia você sentir tanta dor.

Depois de nem sei quanto tempo (para mim pareceram 10 anos!), os pediatras e gastros chegaram a conclusão de que a lactose provavelmente era a grande vilã. Até hoje eu e seu pai temos dúvidas de que eles realmente soubessem o que estavam fazendo, mas a verdade é que você chorou muito! Tudo que pode e conseguiu. Com todas as forças que seu dois pulmõezinhos prematuros foram capazes de suportar. Bem que a enfermeira avisou, na sua primeira noite, que você era brava. Mas quem não estaria tendo que passar as primeiras horas de vida dentro de uma caixa de plástico, com dois tubos no nariz!

Ainda bem que o papai estava lá pra te dar alento. Foi só o dedo dele encontrar a sua mãozinha, que o choro imediatamente parou! Ele sempre se emociona quando lembra disso. E eu vejo essa cumplicidade ainda hoje. Mesmo que um pouco diminuída pela chegada da pré-adolescência e pelos dias corridos.

Hoje, sentada aqui, pensando em tudo que passamos juntos — primeiro nós três e, depois, nós quatro — um orgulho imenso e uma emoção maior ainda vêm junto! Impossível não transbordar do orgulho mais bobo e genuíno que existe nesse mundo toda vez que você chega e todos ao redor falam “Nossa! Como ela é linda! E está enorme, do teu tamanho já!”. Ou quando alguém comenta os talentos que você tem para o desenho e para as artes (temos boa parte de crédito nisso, eu e o seu pai!). Ou da sua inteligência do tipo “super esponja”, que sempre aprendeu tudo com uma facilidade tão grande que tenho a impressão nunca teve que usar sua capacidade no máximo. Seu sorriso fácil, tímido e maroto ao mesmo tempo, que chega de mansinho e se relaciona fácil com todo mundo. Até o seu sarcasmo afiado — que às vezes é bem malvado e vem com aquele ar desafiador e cheio de razão — no fundo, me deixa orgulhosa.

Os cachos vem de um pedido meu. Fiquei tão feliz com os meus anjos quando vi que me atenderam! São os cachos que eu nunca tive, óbvio, mas preciso admitir: ficam muito mais lindos em você! Ainda bem que aprendeu a gostar deles. E espero que, em breve, faça as pazes com o espelho também (por que adolescente tem sempre que se achar feia?!), para conseguir ver o quanto a sua beleza é gigante, a de fora e a de dentro! Um sorriso encantador. Um humor contagiante, sarcástico e inteligente. Um carinho que precisa de espaço e às vezes parece distante, mas é só chegar que ele se mostra, quente e acolhedor! Tudo morando dentro de um enorme, tímido, alegre, travesso e, muitas vezes inseguro, coração!

Sempre digo que a maior lição que tenho aprendido com a maternidade é a paciência, porque tudo que consegui ensinar para você e para Alana não chega nem perto de tudo que vocês duas têm ensinado a mim!

Por isso, quero agradecer, meu amor! Agradecer por cada pequeno momento e por todos os momentos gigantes que passamos juntas até hoje. Por toda força que você mostrou lá no começo dos seus dias… Minha menina tão pequena e frágil, com uma força tão grande que foi capaz de sustentar pai e mãe, mesmo nos piores dias!

Obrigada por cada abraço, cada beijo e cada momento de cumplicidade. Obrigada por me chamar para ajeitar suas cobertas todas as noites e rir depois das cócegas no pescoço. Por me contar o seu dia toda vez que chega da escola e lavar a louça, mesmo odiando a tarefa (herança minha também!). Por aguentar minha mania de perfeição, as rabugices e o mau humor que chega de repente.

Obrigada por ser meu espelho, onde enxergo, cada vez mais, um pouco de tudo que sou. Obrigada por ser uma das minhas guias nesse negócio enorme, desafiador e de tempo integral, que é ser mãe. Um dos meus principais objetivos nessa vida é conseguir ajudar você a encontrar a sua felicidade, porque você é uma das grandes responsáveis pela minha!

te amo

 

Propósito

O que diabos é isso, afinal?

De um tempo para cá tenho consumido muito conteúdo virtual falando de “Propósito”. Entre vídeos no Youtube, textos em blogs e podcasts, o assunto chamou minha atenção porque estou num processo de mudanças na minha vida, em busca de autoconhecimento e redirecionamento, em vários âmbitos. Aqueles momentos em que a gente pára e pensa: “Alguma coisa não está certa! Preciso mudar…Mas, mudar o quê? Como?” E a gente sai, meio tonto, à procura de alguma luz, de identificação, de ouvir alguém te dizer “Tudo bem! Isso é normal e você não está louca!”

Esclarecendo um pouco: 41 anos, casamento feliz, 2 filhas lindas, 3 cachorros, filha com pai-mãe-irmãos, geminiana com ascendente e lua em aquário. Sim! Viajandona, criativa, inquieta, com várias habilidades manuais, conhecimentos em design e comunicação, micro empreendedora individual. Sou empreendedora desde os 19 anos (mais ou menos), sempre acompanhada de um sócio e em empreitadas diferentes. Formada oficialmente em nada, mas com uma “bagagem” bem grande, cheia de possibilidades promissoras. Tudo que sei aprendi fazendo, pedindo ajuda, estudando em cursos aqui e ali, lendo em livros e buscando na santa internet. E mesmo não tendo um canudo, fiquei boa em muitas coisas que tive oportunidade de aprender e executar até aqui (uma das metas que estabeleci para a próxima temporada é não ter medo de mostrar quem eu sou, então não julgue, por favor!).

Mas, como acontece com a maioria dos humanos que vivem hoje sobre o planeta, minha mente funciona demais e nunca aprendi a desligá-la. Nunca aprendi a lidar direito com emoções, com medos e cobranças. Sempre tentei me adequar a padrões e julgamentos da sociedade, na eterna dualidade do certo e errado. E, sem me dar conta, projetei tantas situações “ideais” para minha vida, que me transformei na minha pior carrasca. Idealizei o trabalho perfeito e o jeito perfeito de executá-lo; as filhas perfeitas, o casamento perfeito, a casa perfeita, as férias perfeitas, o dia-a-dia perfeito. E tenho tudo isso? Claaaaaaro que não! Vários itens da lista estão perfeitos exatamente como estão, com todas as imperfeições que vem junto! As filhas, o marido, o casamento. E outros vários itens estão em processo de ajustes, mas não para chegarem à perfeição, já que ela não existe! Mas para fluírem melhor no dia-a-dia que me faz mais feliz. Já considero isso uma conquista!

Voltando ao “propósito” lá do começo e tudo que encontrei na internet a respeito. Diria que 9 entre 10 pessoas que falam sobre mudanças de estilo de vida, ou de algum sentido maior para o que se faz todos os dias, ou simplesmente a intenção de viver dias mais tranquilos, invariavelmente param no mesmo lugar: encontre o seu propósito.

Mas o que diabos significa isso??

Parece igual ir ali encontrar o corte de cabelo perfeito para o seu rosto! Feche os olhos, respire fundo, olhe pra dentro, revire um pouquinho e tchãrã!!! Ta aí seu propósito. Agora sim! Só botar em prática e a felicidade é certa!

Posso adorar ser dentista e me realizar cantando rock. Posso ver todo sentido do mundo em ser escrivã e também em fazer bolos de chocolate em casa. E aí? Qual eu escolho? Preciso escolher? A “lei da selva” diz que você precisa ser o melhor no que faz. Que é preciso foco, saber onde você quer chegar e apostar as suas melhores fichas. Se você não for “o cara”, alguém vai ser no seu lugar. Como faz pra parar e ver se, no meio disso, estou vivendo no meu propósito? Como eu descubro se já cheguei lá ou quanto ainda falta?

Hoje, eu diria que estou em standby. Tenho certeza de que tudo que já realizei e vivi até aqui faz parte do meu propósito, porque me senti muito feliz e realizada em vários momentos, e esses momentos sempre foram mutáveis ao longo do caminho. Nunca fui capaz de fazer algo de que não gostasse. Preciso de um clic … “Opa! Gostei disso. Quero saber mais e quero fazer também”. Preciso me sentir atraída, depois ver sentido e, pra fazer acontecer, precisa acrescentar. Aprendi que a vida é feita de ciclos. Até pouco tempo me sentia culpada por precisar de mudanças. Porque sempre tive isso, de precisa mudar… De tempos em tempos vem uma necessidade muito grande de sacudir, trocar, mudar de lugar, fazer diferente. Minha culpa vem do medo de ser julgada, de parecer superficial e fútil. Mas, essas são duas outras metas do momento — tirar, o máximo que eu for capaz, a culpa da minha vida e, mandar a opinião alheia para a lua. Afinal, nada é eterno, certo? De hoje pra amanhã tupo pode mudar. E isso não é ruim. Pelo contrário. Faz a gente tirar a bunda do sofá e se mexer, porque a zona de conforto já era. Nunca tive problemas com mudanças. Elas sempre me dão frio na barriga, fazem o coração pular e os olhos brilharem! Engraçado é que tenho medo de altura, mas “pular” no desconhecido me fascina. O que me dá pânico mesmo é fazer igual todos os dias. Saber exatamente o que vai acontecer. Saber para onde vou, o que me espera na volta e o que vou encontrar no caminho. Isso deixa tudo cinza, tedioso e tãããão sem graça. Soa inconstante? Com certeza. Se você consegue renovar sua energia e motivação fazendo o mesmo todos os dias, parabéns! Talvez em algum momento eu consiga chegar lá. Mas hoje não tenho nem essa pretensão. Porque a minha inconstância tem haver com movimento, que é igual ar para respirar. E não tem nada haver com falta de comprometimento ou de profundidade.

Adorei uma frase que ouvi hoje num vídeo com título que achei ótimo “Onde enfiar o talento?” (Juliana Garcia, via Espaçonave), onde parafrasearam Sri Prem Baba:

“Seu propósito é ser quem você é e entregar isso pro mundo.”

Já falei isso no texto anterior: me sinto uma criança de 41 anos, fazendo um monte de perguntas e questionamentos pra tentar descobrir quem eu sou de verdade e o como eu quero viver o que falta até os 100 (não pretendo ir embora antes disso, muita coisa por fazer por aqui ainda).

E você, já sabe quem você é? Alguma ideia de qual é o seu propósito nessa vida?

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