Tentando me aceitar

 O que você quer ser quando crescer?

Já respondeu à essa pergunta alguma vez?

Como não lembro se alguém já a fez pra mim, acho que nunca respondi. Se me fosse feita hoje, a reposta seria tão honesta quando simples: tudo que eu tiver vontade!

E olhando pra trás, vejo o quanto a resposta teria sido diferente ao longo da minha vida.

É que me sinto ainda uma criança, esforçando-se pra entender como funciona exatamente esse negócio de ser adulta. E quanto mais “cresço”, mais preciso resgatar a menina que fui deixando pra trás.

Aquela menina talvez consiga ajudar na enorme necessidade que tenho sentido de me explicar. Explicar a mim mesma quem eu sou. E porque sou. Pra ver se aceito e paro de achar que preciso me justificar.

Sinto que as peças do meu quebra-cabeças têm arestas diferentes desse onde estou tentando encaixá-las. E só agora percebi.

O que eu quero hoje está muito diferente de qualquer coisa que já quis. E isso parece não ter lógica. De onde vem isso? Não é o que “deveria” ser. E o que parece lógico, não ressoa mais dentro de mim.

“Então siga seu coração, uai!!! E pare de mimimi.”

Não tenho – mesmo – achado que isso é tão simples assim. Uma pilha de rótulos fica pipocando na mente. Você está fugindo das responsabilidades. Não quer se comprometer. Está querendo vida boa. Sendo superficial e fazendo drama. Aja como adulta. Como se fossem recados enviados de quem está ao redor.

Mas já percebi que o verdadeiro remetente é outro. São crenças enviadas de dentro de mim. Rótulos sim, mas a pessoa que os está distribuindo, adivinha quem é?

Muito contraditório isso: ser o próprio carrasco e sofrer para conseguir se defender.

Morro de medo de ser julgada. Porque cresci julgando tudo e todos ao redor. A menina aprendeu que tinha que ser perfeita e sempre apontou o que enxergou como imperfeição. Agora está descobrindo que a imperfeição é apenas um ponto de vista. E que se aceitar imperfeita e vulnerável só a faz igual a todos. Não afasta. Aproxima.

Perceber isso deveria ser libertador. E seguir daí deveria ficar mais fácil. Afinal, se vem tudo de mim, mudar só depende do querer.

#sqn

O lugar de onde isso vem é mais fundo de que eu pensava. O acesso não é fácil e parece mudar de lugar a toda hora, num jogo de esconde-esconde entre o consciente e o inconsciente. Quando encontro, preciso tatear. É escuro e sinto apenas algumas partes. Entendo em pedaços. Mesmo assim o coração respira feliz, como se tivesse vencido a mais difícil das etapas. Mas logo outro estalo vem e a confusão se reinstala. Sigo tateando de novo, rumo ao próximo sentir e compreender.

Diz aí povo da psico/terapia – isso parece durar uma vida… É isso mesmo?

O bom é que cada pedaço decifrado consegue soltar uma das amarras que seguram as vontades.

VONTADE:

“faculdade que tem o ser humano de querer, de escolher, de livremente praticar ou deixar de praticar certos atos. Força interior que impulsiona o indivíduo a realizar algo, a atingir seus fins ou desejos; ânimo, determinação, firmeza.”

Me sinto mais livre do que nunca. Mesmo que várias amarras ainda persistam. E não consigo evitar a pergunta: “por que demorei tanto?”

As partes que já soltei tenho tentado trazer à tona. A mais significativa tem sido me permitir experimentações. Fluir. Sem repressões e sem prometer “casamento”. Aliás, essa é outra decisão: posso mudar de ideia amanhã. Sem achar que estou louca ou que tenho problemas de comprometimento.

Estou num esforço de seguir um conselho-terapia que recebi há poucos dias: “aceita que dói menos!” Ou seja: mudar a estratégia. Parar de brigar e tentar unir as dualidades que sei vão eternamente me co-habitar. Parar de querer “consertar” as partes que enxergo como ruins e tentar entendê-las. Porque elas fazem parte de quem eu sou e estão ali por algum motivo. De novo: analisar tudo em termos de “certo” e “errado” não contribui.

Sou imprevisível, volúvel e inconstante. Mudanças, de tempos em tempos, são como o ar que eu respiro. Preciso circular, botar a mão, aprender, descobrir os como’s e os porquês. Achar sentido. Buscar todo dia a inspiração que faz meu coração bater mais forte. E assim evoluir. Não serei capaz, nessa vida, de escolher apenas uma coisa-lugar-trabalho-hobby e seguir nela até o fim. E isso não fará de mim uma pessoa menos interessante (eu espero!).

Então, vou equilibrar a balança da dualidade. Um contraponto em minha defesa: as virações sempre acabam encontrando ordem. Gosto tanto de voar quanto preciso do chão. Vou ali, mas volto. E na volta trago montanhas de sentimento, motivação e vida. Pra ser feliz junto de quem mora no meu coração.

A impermanência

Estou num pedaço da vida em que a impermanência faz parte da lista do que se aprende a respeitar. Aceitar. Conviver. Tenho a impressão de que isso demora um pouco. Pra mim, pelo menos, só chegou com a experiência, depois de já ter sido derrubada algumas vezes e ter brigado um bocado pra entender os porquês.

Quando minhas filhas nasceram, naqueles dias difíceis (em que a gente tem vontade de fugir, sabe?) repetia duas palavras da minha mãe quase como um mantra: “Tudo passa!” Às vezes, ela completava: “Um dia tu vai sentir saudades dessa fase.” Essa parte eu não repetia, mas não é que ela tinha razão? A parte que me fazia querer fugir está bem viva ainda dentro de mim, e fez eu desistir da ideia loucamente enlouquecida de ter três! (Jesus!) Mas, como disse uma amiga certa vez – depois que passa, a gente costuma lembrar só das coisas boas. E elas vêm num pacote com cheiro de nostalgia.

A impermanência da vida é uma das primeiras leis ensinadas pelo budismo e está lá na psicanálise também. Pode parecer estranho, mas quando paro pra pensar em como usar isso na prática, dá um certo alívio. Sinto como uma descompressão.

Contemplar isso é de extrema utilidade, pois faz cessar o nosso apego exagerado, o nosso “agarrar” exagerado. (wikipedia)

E não é?

Pensa só: tá ruim? Caaalma. Respira!

Não tem o que fazer? Segura firme e aguenta mais um pouco! Vai passar!

Dá pra mudar o que tá ruim? Então tá esperando o quê??? Ficar sentado lamentando e achando mil justificativas não ajuda! Desapega do que está te impedindo de ir adiante e vai em busca de solução.

Ouvi muito isso nos últimos dias e fez todo sentido pra mim (ênfase no pra mim! Você pode achar o contrário. E tudo bem!): focar nos resultados não devia ser o foco (perdão à redundância). O primeiro passo importa mais. Sair do lugar importa mais. Decidir fazer diferente importa mais. Seguir o que você realmente quer importa mais. Você pode não ter a mínima ideia do que vai acontecer, nem de para onde vai. De novo: desapega! É bem difícil – falo por mim – mas essa é a hora de confiar. No universo, no anjo da guarda, na sua capacidade, na sua força interior e no que mais ajudar a te colocar pra cima. Não quero dizer que fazer planos ou ter uma retaguarda é dispensável. Nada disso. É bem mais fácil se você incluir no pacote. Mas ficar só no “e se não funcionar?” é o pior negócio.

Põe o pé que o universo bota o chão! (Não descobri o autor original. Interessa é que funciona!)


 

E se tá bom?

APROVEITA TUDO QUE PUDER! Mas não se apegue. Porque também vai passar!

Ruim? Não. A gente tem mania de só dar valor depois que acaba, não é? Com isso em mente, a gente começa antes.

A impermanência trabalha na neutralidade; quem define a polaridade do que ela traz somos nós. E o que vem chega com uma certeza: tem data para ser levado embora. Por isso, o tamanho do respeito que ela merece. Por isso, também, agradecer deveria ser um hábito praticado todos os dias.

Nessa lição estou me esforçando, Dona Impermanência. Hoje consigo agradecer por tudo que você trouxe para mim. O ruim ajudou a ladrilhar meu chão, fez minha base mais forte e está me fazendo descobrir quem sou em essência. (Gosto da expresso menos bom que uma conhecida usa. Segundo ela, o ruim não existe. Porque tudo nos acrescenta de alguma forma.)

O bom eu sempre tive certa dificuldade em dar valor. Como se fosse parte obrigatória da vida (eu disse, demoro um pouco nos processos). Ainda escapa vez em quando. Mas atualmente consigo, quase todo dia, perceber o quanto é valioso o que eu sou, o que construí e, principalmente, quem está ao lado e me faz feliz!

O poder do silêncio

Eu acredito no poder do silêncio.

Aprendi a acreditar ali atrás, umas duas ou três esquinas antes.

Até chegar aqui andei por vários caminhos e, em todos, algum barulho me incomodava.

A princípio nada grave, mas, de repente, lá estava eu, tentando não prestar atenção aos incômodos.

Talvez fossem meus ouvidos desenvolvendo maestria. Porque, à medida que aquietava, os incômodos diminuíam, e o que eu ouvia se multiplicava.

Seguindo adiante, senti recuperar minha capacidade de ver (sim, eu uso óculos), especialmente o que vinha de dentro.

E vou te dizer: essa conexão entre os sentidos é mesmo algo de poder, porque daí ao sentir foi um pulo. Aliás, deveriam sempre andar de mãos dadas.

Quando chegou ao coração, remexeu tudo: fui capaz de ouvir, sentir e ver, tudo de uma vez.

É um negócio maluco!

Leva tempo e faz a gente entrar em surto.

Nessa hora é aguentar, segurar a onda! Logo, logo a alma volta a respirar e se aviva como nunca.

A mente fica tentando entender o que se passa. E disso tenho convicção: ela gosta mesmo é de atrapalhar.

Para entrar nos eixos de novo voltamos a ele — o silêncio. Exige esforço para colocar em prática, mas acredito, de verdade, que vale cada minuto.

Por aqui, a prática nem sempre atende aos desejos, mesmo assim, o sol tem brilhado mais pelo caminho, respirar tem fluído com mais facilidade e sempre vejo algumas flores a me acompanhar.

O ideal de vida que você chama de seu

Sobre saber o que você quer, o que acha que controla e a grama do vizinho

Descobri isso recentemente — que ideais de vida podem ser uma roubada!

Para alguns esses ideais já são criados lá atrás, cedo. Chegam aos 20 com a vida planejadinha e o foco é total na execução do plano. Outros vão construindo a visão ao longo do caminho.

Não sei dizer, ao certo, onde os meus ideais começaram a tomar forma. É um processo que vai acontecendo e enraizando sem a gente se dar conta. O que sei é o que acabou trazendo mais para frente: ansiedade, sofrimento e frustrações. Em situações que foram se repetindo de tempos em tempos.

Com o tempo, consegui perceber o padrão. Foi um começo. Mas daí a ser capaz de parar de brigar com o universo e tentar entender o que ele estava querendo me dizer, muita água correu por debaixo da ponte!

Vou te falar: entender os sinais é tarefa para uma vida inteira. E, antes de entender, é preciso ser capaz de enxergar; o que muitas vezes só conseguimos depois de umas chacoalhadas bem grandes… Às vezes, nem assim.

Me dei conta de que os meus ideais não vinham de quem eu sou de verdade, mas de percepções da grama do vizinho, que sempre me pareceu mais verde, convidativa e melhor de viver do que a minha.

Percebi que, o que eu queria mesmo, era que tudo fosse exatamente como eu imaginava (soa infantil, não? Mas quem nunca?), porque o que eu imaginava era perfeito, não só na minha visão, mas também na dos outros.

E, se os outros notassem que eu consegui concretizar uma vida perfeita, automaticamente o aval da perfeição seria meu também (mãe perfeita, empreendedora perfeita, dona de casa perfeita). E eu, sendo perfeita, estaria protegida de críticas, de confrontos, de julgamentos. Aprovada, segura e amada.

Assim, para seguir dentro do planejado, era só manter tudo ao redor sob controle.

Só que….

1. O plano estava baseado no ideal perfeito dos outros. Não te parece a coisa mais ilógica desse mundo? Pra não dizer burrice…

Note que esse “ideal dos outros” saiu todinho da minha cabeça, porque ninguém, em momento algum, disse sequer uma palavra ordenando que eu deveria seguir esse ou aquele modelo pré-estabelecido de vida. E faço uma aposta que você também não ouviu isso, assim, ao pé da letra. Mas, todos sabemos, as convenções são reafirmadas todo santo dia. Sem falar no pacote genético que “herdamos” sem querer.

2. Nada nessa vida é perfeito, eu sei! Juro que sei!!! Mas quem diz que isso entra no inconsciente?! Sempre fui perfeccionista, mas não tinha ideia de que tinha raízes tão profundas.

3. Controlar tudo é impossível. Eu sei disso também. E sei mais (e aposto que você também já sabe) — quanto mais você tenta, pior fica.

4. Todo mundo sabe — ou já deveria saber, a essa altura — o quanto é mais leve e prazeroso viver a vida com base na auto-honestidade. Trilhar o caminho de acordo com nossas próprias escolhas, dentro do que nos realiza de verdade…. e blá-blá-blá. Pois é… Falar é a parte fácil. Pára aí um minutinho e olha pra sua vida — você está sendo honesto consigo mesmo e fiel ao que quer de verdade? Quanto do que você escolheu realizar ou viver é seu mesmo?

Voltando aos meus ideais. Claro que eles ainda existem. Precisam existir — são eles que dão sentido ao levantar todos os dias. Se continuam os mesmos? Não. Posso dizer que estão em processo de reformulação. E isso passa por um aprendizado power: ser capaz de identificar e entender — sem medo, com honestidade e humildade (sim, precisa admitir todos os podres que vêm junto) — o que de fato é meu e o que não. Mais ainda: aceitar que sou tudo isso que vem no pacote. Que os “podres” não são podres na verdade; são sim partes de mim, que posso colocar para trabalhar em prol do meu melhor se aperfeiçoar. Integrar e não dividir (ouvi ou li em algum lugar, e adorei!).

Posso dizer que estou mais perto do que jamais estive, mas ainda tenho um bom caminho pela frente. A diferença é que agora tenho consciência de qual opinião vale à pena escutar.

Montanha russa | Sobre ser mãe … E otras cositas más

(texto originalmente publicado no Medium, em maio/2018)

 

Abril é o mês em que acontece o primeiro aniversário aqui em casa, o da Júlia, que há alguns dias chegou nos 12.

Sempre tive vontade de fazer um diário… Deixar mensagens escritas para ela e a irmã, com coisas que me vinham à cabeça nos momentos mais inusitados. Algo como ensinamentos ou lições que eu achava importante elas aprenderem na vida, mas que ainda eram muito pequenas para entenderem.

Comecei hoje!

Em minha defesa, antes tarde do que nunca!

 

Então, a primeira coisa que quero deixar registrada diz respeito justamente ao SER MÃE.

É mesmo uma montanha russa!

Não é e não pode ser tudo na vida. É uma dureza danada, principalmente no começo (estou entrando na adolescência aqui, então, talvez ainda mude de ideia sobre isso). Te vira de pernas pro ar e te enlouquece em boa parte do tempo. Mas acho um desperdício enorme passar por essa vida sem experimentar!

Lembro de comentar com as minhas amigas, antes de engravidar, que eu tinha medo de ser uma mãe egoísta, afinal, a lista de coisas que não podemos, ou não conseguimos mais fazer, é gigante…Beeem grande mesmo! E eu tinha muitas dúvidas de que fosse capaz.

Mas, lá fomos nós!

Engravidei com 29, depois de alguns hormônios ajudando, porque a coisa estava meio demorada. E, pouco antes dos meus 30, a Júlia nasceu. Para mim, foi o hora certa (pelo pai, já teríamos pelo menos dois a essa altura). O projeto todo incluía três filhos, mas rompi o acordo e paramos na segunda, porque piripaques começaram a acontecer como resultado das noites mal dormidas (uma querida de uma labirintite me acompanha até hoje).

A Alana veio um ano antes do previsto, resultado daquelas horas em que você baixa a guarda e pensa “Só hoje… Não vai dar nada!”

Pois é… Conselho de amiga: dá sim!!! De qualquer forma, ela sempre esteve nos planos, porque filho único não era uma opção. E, apressadinha e ansiosa como é, ela não teria aguentado esperar mais tempo! Então, hoje estou convicta de que também veio no momento certo!

Com a Júlia o começo foi punk! Não achei que fosse aguentar. Lembro de uma infinidade de dias chorando e brigando com o universo, pedindo explicações sobre o porquê de termos que passar por tudo que estava acontecendo (uma alergia ao leite rendeu meses de sofrimento e, depois, várias doenças foram se alternando, decorrentes dos dias na escolinha).

Quando engravidei da Alana, o que mais escutei foi “Com tudo que vocês passaram com a Júlia, vão ter mais um?”

Claro! Pior do que foi acho difícil!

E levei tudo de boa… enjoando pra caramba — igual à primeira vez — e passando por vários pequenos perrengues, igual à primeira vez. Mas tudo bem. Encarei como parte do processo e aceitei que, se tivesse vários filhos, provavelmente minhas gestações seriam todas cheias de frescura!

Depois de tudo que passei com a Júlia, já sou craque! Dessa vez vai ser bem mais tranquilo.

Só que não!

No terceiro dia em casa, a Alana teve icterícia!

E eu surtei de novo!

Como pode?? Pra mim era um erro básico! De amadora mesmo! “Como pude deixar minha filha ficar amarela? Deixei ela pegar sol todos os dias! De onde veio isso?”

Esqueci que o vidro da janela não podia ficar fechado, porque o sol precisa incidir direto sobre o corpinho do bebê.

No terceiro mês ela começou com um barulho estranho e forte na garganta, como se fizesse força para colocar algo para fora. Fui descobrir na pediatra que era uma bronquite séria e que teríamos que usar antibióticos.

Mais uma vez fiquei desolada, me sentindo a última das mães! “Três meses de vida e já precisa de antibióticos??” Eu já tinha decidido que o erro da escolinha cedo (a Júlia foi com 4 meses) não seria cometido com a Alana, mas isso não fez diferença nenhuma, porque o vírus/ bactéria da bronquite provavelmente entrou em casa trazido da escolinha pela Júlia, que a essa altura já estava mais forte e resistente, por isso não pegou.

 

Com o passar do tempo, lentamente os perrengues foram diminuindo. Mesmo assim, noites inteiras de sono só começaram a fazer parte da rotina depois dos 5 anos da Alana.

Talvez por isso eu seja uma mãe que não tem muitas saudades da gravidez. E seria totalmente a favor de curtir os primeiros dias de recém nascido em casa, mas, assim que possível, usaria o botão “pular”, para ir direito aos 4–5 anos, quando já caminham, já sabem falar onde dói, dizer se tem fome e se querer fazer xixi ou cocô.

Arrependimento?

DE JEITO NENHUM!

Um terceiro filho me dá pânico (e olha que o medo maior nem é o de já ser velha pra isso), mas as duas filhas que tenho vieram para dar sentido à minha existência! As maiores lições dessa vida aprendi com elas, inclusive a de que sou bem menos egoísta do que achava que era.

Se uma opção me fosse dada, de passar tudo de novo ou não tê-las e viver mais tranquilamente, nem piscaria na escolha.

E o que mesmo quero deixar registrado?

Que nada nessa vida é perfeito! Idealizar — eu fiz isso muito, muito mesmo, a minha vida inteira (!) — é uma grande roubada! Procurar a perfeição, no final, só nos coloca frente a frente com nossas fragilidades e imperfeições, como seres humanos, como filhos e, mais ainda, como mães!

Se você não é e não pretende ser mãe, tudo certo! Tenho várias amigas que não querem e respeito, mas preciso confessar que tenho vontade de fazê-las mudar de ideia.

Se você é mãe, respire! Respire fundo, repetidas vezes, em vários momentos do dia. Aproveite cada segundo bom e viva ele ao máximo, porque eles valem muito mais do que os não tão bons. E quando os não tão bons aparecerem de novo, use emprestado um conselho da minha mãe, que usava quase como um mantra nas horas mais difíceis:

Tudo, um dia, passa!

E quando passar, acredite (várias mães já me disseram isso): você só lembrará das alegrias.

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