E se tudo fosse uma grande brincadeira?

E se tudo fosse uma grande brincadeira?

Se os dias por aqui pudessem ser vividos como uma grande reunião de crianças querendo apenas inventar formas de se divertirem juntas?

Igual a gente fazia quando juntava os amigos da vizinhança, da escola  ou os primos da família, e passava o dia inventando coisas legais pra fazer. Ou grandes aventuras pra viver.

Lembra dessa sensação, a de estar se divertindo com os amigos? Sem hora (durava até a mãe chamar), sem preocupações, sem grandes exigências pra coisa acontecer.

Era simples, fácil e tudo que queríamos da vida: ficar exatamente ali onde estávamos, brincando até cansar. Apesar das brigas, disputas, tombos e choradeiras. Quando alguém ficava de mal não durava muito. Normalmente até o próximo encontro. E todos já estavam de boa, prontos pra recomeçar.

Onde foi que entendemos que isso tinha que parar?

Crianças entendem e aprendem melhor o mundo através das brincadeiras. Quem disse que com adultos isso é diferente?

Onde aprendemos que diversão e responsabilidade são antônimos e não não funcionam juntos?

Por que o outro precisa ser sério, austero e ter emoções bem sob controle para merecer confiança? E o espontâneo-emotivo-expansivo logo recebe um rótulo de leviano irresponsável? Como se trouxesse com ele uma certa ameaça, um perigo… (Meu palpite: ele apenas ultrapassa aquele limite tênue e invisível que a gente cria pra deixar todo mundo longe dos nossos reais sentimentos).

Ser gente grande pode ser muito chato e muito pesado. Mas só se deixarmos ser assim.  Igual quando a brincadeira ficava tediosa e terminava com todo mundo se olhando, meio jururu: “e aí, o que vamos fazer agora?”

Se está sofrido e tedioso está na hora de perguntar: “o que EU posso fazer agora?”

CLARO que mudanças não acontecem simplesmente porque queremos que elas aconteçam. Pra chegar numa brincadeira nova geralmente tinha perrengue e discussão antes. Às vezes íamos pra casa sem brincar mesmo, porque já estávamos exaustos ou porque as ideias simplesmente não apareciam mais. Se não for realmente possível mudar hoje, não quer dizer que nunca vai acontecer. Um hoje ruim não é uma sentença de morte pro amanhã.

A vida é uma grande bola que não pára nunca de correr. Ela rola eternamente, girando em ciclos e oportunidades que se repetem todo dia. Ou seja: todo dia é um novo dia pra brincar. Pra (re)inventar e explorar. Pra mudar uma coisinha aqui e outra ali, por mínima que seja. Vários mínimos, feitos um dia de cada vez, um dia formam algo grande. Clichê à beça. Mas é isso! Não é a invenção da roda.

A vida é curta e ‘indisperdiçável’ demais pra que seja divertido só no finais de semana ou em algum dia longínquo e perdido do futuro. Bóra se divertir!

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