O que será que não estamos entendendo?

O universo e a natureza estão num grande esforço pra nos dizer algo. Mas a mensagem está batendo na nossa testa e caindo no chão.

Desastres naturais já acontecem há tempos e todos sabemos o que precisa ser feito para que elas se acalmem. Mas isso requer sacrifícios e não estamos muito dispostos. Então, seguimos tendo que testemunhar a natureza em fúria, com mortes e sofrimento ao redor do mundo e “em casa”.

Pra reforçar os avisos e ver se, de uma vez por todas, a gente cai na real, veio o universo nos fazer assistir, impotentes, a dois grandes símbolos da história humana serem arrasados pelas chamas – uma também dentro de casa (ano passado) – a mais antiga instituição científica do nosso país, o Museu Nacional do RJ, exatamente no ano em que completou seus 200 anos. A outra ontem, em Paris: a magnífica Notre Dame, com quase mil anos de história. Perto dela, nosso Museu parece pouco. Mas somos jovens, temos apenas 519 anos. Ou seja, registros de quase metade do nosso passado se foram.

Em andanças por relatos e comentários nas redes sociais, e pesquisando um pouco, descobri algo, no mínimo, interessante. Que eu, igual vários outros, entendi como algo bem mais profundo.

A origem da palavra museu vem grego mouseion, que significa “templo para as musas”. Na Grécia Antiga “as musas eram a personificação das artes e das ciências. Eram donas da memória absoluta, imaginação criativa e presciência e, com suas danças, músicas e narrativas, ajudavam os homens a esquecer a ansiedade e a tristeza.” … “As musas eram as preservadoras da memória e cantavam com o intuito de manter a lembrança viva, elas representavam a compilação de todo conhecimento, das ciências e da memória.” (fonte aqui)

Já Notre Dame significa “Nossa Dama” ou “Nossa Senhora”. A história recente afirma que a Cadetral recebeu esse nome porque é dedicada à Maria, mãe de Jesus. Histórias mais antigas, que remontam aos Templários e períodos de cultos pagãos à deusa (que aconteciam no mesmo local), se referem à edificação como uma honra ao sagrado feminino, “ao útero da Terra”, uma homenagem à energia criadora e à fertilidade. (fonte aqui)

Independente do que dizem historiadores, cultos ou religiões, pra mi fez todo sentido perceber que os dois, em essência, falam de proteção, zelo, acolhimento, base, memória, guiança, manutenção, valorização. Da história e do ser humano. E ambos têm sua origem ligada ao feminino, que é regido por esses mesmos valores. Quando falo do feminino não falo das mulheres em si, mas do lado sensível e emocional que todos – homens, inclusive – carregamos em nós. A parte do ser que funciona para dentro, conectada aos sentimentos e intuições. Que gera e nutre a vida, acarinha, aconchega, tem compaixão, empatia e constrói valor. Que se conecta porque faz sentido, em prol de todos e a partir do coração.

Então, o que as chamas estão querendo nos dizer?

Que nossos tesouros precisam virar cinzas para lhe darmos o devido valor? Que o sofrimento precisa acontecer para sairmos do nosso umbigo e darmos as mãos? Quem sabe é o fato de, desde sempre, o dinheiro receber mais atenção que o conhecimento? Ou ainda que tudo que queimou representa o que precisa cair mesmo… o velho que já não se sustenta e precisa ser revisto? Muitas lições podem ser tiradas da fumaça e dos escombros.

Quem sabe nossa constante incerteza e medo sobre o futuro venham exatamente de não aprendermos o que o passado tentou nos ensinar. Não é sobre fazer igual. É sobre honrar o que o mundo já viveu, aprender com os erros e acertos, e seguir de onde estamos. Mas diferente daqui pra frente. Porque daqui, desse lugar do agora, o planeta pede outro tipo de consciência. Nosso feminino está gritando para ser ouvido. A mãe terra precisa de socorro. E a humanidade que vive nela também. Precisamos conseguir atender.

Imagem Notre Dame:  Getty Images / AFP/FRANCOIS GUILLOT. Imagem Museu Nacional: Correio do Brasil

Publicado por Lu Raimann Soares

{ Não deixar a vida pra depois! } Depois que decidi (levei 40 anos pra isso!) tenho me esforçado para manter algumas coisas presentes todos os dias: respirar fundo e com vontade, caminhar, meditar, me manter flexível (o corpo, a mente, a alma) e o mais leve que conseguir. Botar ordem no que for possível, fazer coisas que me inspiram - o que inclui usar minha imensa curiosidade sobre o mundo pra absorver tudo que eu puder - e agradecer por tudo e todos que me fazem uma pessoa FELIZ e um ser HUMANO MELHOR. O VIVER E CONTAR surgiu dessa decisão. Num momento da vida em que dobrei a esquina e decidi mudar de direção. Precisava viver. Sem todos os medos e aflições que sempre tive. Mas pra isso, precisava antes visitar lugares que nunca tinha ido antes. Lugares internos, profundos, de autoconhecimento. Lá, encontrei muitos espelhos, que me colocaram frente a frente com faces minhas que nem sabia que existiam. Algumas bem difíceis de ver, várias menosprezadas e outras bem surpreendentes. Muitos aprendizados vieram. E um tempo de reclusão e introspecção. Mas a vida não expande apenas para dentro. Ela vive para fora. Precisa fluir na direção do que faz crescer. As percepções e aprendizados precisavam sair e serem compartilhadas. E aqui estou. Hoje posso dizer que me reencontrei. E a principal reconexão foi com minha essência feminina, que tem ganhado voz de várias formas: na minha arte com linhas e bordados; no tarot, parceiro fiel na conexão com o grande invisível que existe em nós e no universo; nas vivências e encontros que tenho planos de promover com mulheres F*** que encontro pelo caminho. Viver e Contar é um plano simples. Um troca. Se você chegou aqui, sinta à vontade para participar. Vou adorar te conhecer.

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