A impermanência

Estou num pedaço da vida em que a impermanência faz parte da lista do que se aprende a respeitar. Aceitar. Conviver. Tenho a impressão de que isso demora um pouco. Pra mim, pelo menos, só chegou com a experiência, depois de já ter sido derrubada algumas vezes e ter brigado um bocado pra entender os porquês.

Quando minhas filhas nasceram, naqueles dias difíceis (em que a gente tem vontade de fugir, sabe?) repetia duas palavras da minha mãe quase como um mantra: “Tudo passa!” Às vezes, ela completava: “Um dia tu vai sentir saudades dessa fase.” Essa parte eu não repetia, mas não é que ela tinha razão? A parte que me fazia querer fugir está bem viva ainda dentro de mim, e fez eu desistir da ideia loucamente enlouquecida de ter três! (Jesus!) Mas, como disse uma amiga certa vez – depois que passa, a gente costuma lembrar só das coisas boas. E elas vêm num pacote com cheiro de nostalgia.

A impermanência da vida é uma das primeiras leis ensinadas pelo budismo e está lá na psicanálise também. Pode parecer estranho, mas quando paro pra pensar em como usar isso na prática, dá um certo alívio. Sinto como uma descompressão.

Contemplar isso é de extrema utilidade, pois faz cessar o nosso apego exagerado, o nosso “agarrar” exagerado. (wikipedia)

E não é?

Pensa só: tá ruim? Caaalma. Respira!

Não tem o que fazer? Segura firme e aguenta mais um pouco! Vai passar!

Dá pra mudar o que tá ruim? Então tá esperando o quê??? Ficar sentado lamentando e achando mil justificativas não ajuda! Desapega do que está te impedindo de ir adiante e vai em busca de solução.

Ouvi muito isso nos últimos dias e fez todo sentido pra mim (ênfase no pra mim! Você pode achar o contrário. E tudo bem!): focar nos resultados não devia ser o foco (perdão à redundância). O primeiro passo importa mais. Sair do lugar importa mais. Decidir fazer diferente importa mais. Seguir o que você realmente quer importa mais. Você pode não ter a mínima ideia do que vai acontecer, nem de para onde vai. De novo: desapega! É bem difícil – falo por mim – mas essa é a hora de confiar. No universo, no anjo da guarda, na sua capacidade, na sua força interior e no que mais ajudar a te colocar pra cima. Não quero dizer que fazer planos ou ter uma retaguarda é dispensável. Nada disso. É bem mais fácil se você incluir no pacote. Mas ficar só no “e se não funcionar?” é o pior negócio.

Põe o pé que o universo bota o chão! (Não descobri o autor original. Interessa é que funciona!)


 

E se tá bom?

APROVEITA TUDO QUE PUDER! Mas não se apegue. Porque também vai passar!

Ruim? Não. A gente tem mania de só dar valor depois que acaba, não é? Com isso em mente, a gente começa antes.

A impermanência trabalha na neutralidade; quem define a polaridade do que ela traz somos nós. E o que vem chega com uma certeza: tem data para ser levado embora. Por isso, o tamanho do respeito que ela merece. Por isso, também, agradecer deveria ser um hábito praticado todos os dias.

Nessa lição estou me esforçando, Dona Impermanência. Hoje consigo agradecer por tudo que você trouxe para mim. O ruim ajudou a ladrilhar meu chão, fez minha base mais forte e está me fazendo descobrir quem sou em essência. (Gosto da expresso menos bom que uma conhecida usa. Segundo ela, o ruim não existe. Porque tudo nos acrescenta de alguma forma.)

O bom eu sempre tive certa dificuldade em dar valor. Como se fosse parte obrigatória da vida (eu disse, demoro um pouco nos processos). Ainda escapa vez em quando. Mas atualmente consigo, quase todo dia, perceber o quanto é valioso o que eu sou, o que construí e, principalmente, quem está ao lado e me faz feliz!

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