Para Júlia | Sobre ser mãe… E otras cositas más

(texto publicado originalmente no Medium, em abril/2018)

Então, os 12!

Não vou dizer que passou num piscar de olhos porque foram 12 anos bem intensos, especialmente os primeiros.

Preciso confessar que escrevo isso com quase 12 anos de atraso porque, no projeto original, a super-perfeita-e-dedicada mãe escreveria um diário para cada um dos três filhos que estavam programados (pois é…paramos na segunda porque, de repente, só a ideia de um terceiro já era apavorante!). Seria um diário bem completinho: primeiro sorriso, primeira fruta, as primeiras palavras, os primeiros passinhos… Maaaas, é claro, muitas coisas saíram bem diferentes do que eu havia tão detalhadamente imaginado.

Nosso começo foi um pouco punk, né amor! Já contamos essa história um milhão de vezes e tenho a impressão que você não gosta muito de ouvir. Desculpe! Mas ela é marcante demais para deixar passar. Uma coisa dessas muda a vida de uma pessoa, principalmente quando somos pais de primeira viagem. E uma mãe de primeira viagem que idealizou absolutamente tudo durante a gravidez. E rezou e sonhou e pediu taaanto para você ser uma bebê calminha, tranquila e dorminhoca, que só podia dar nisso!

A gravidez teve de tudo, menos tranquilidade. O parto teve que ser com cesariana e foi prematuro. Sua primeira noite você passou na encubadora, embaixo de um respirador gigante, porque os pulmõezinhos ainda não estavam 100%. E você nasceu tão pequenininha que, quando chegamos em casa, a primeira providência foi comprar roupinhas tamanho RN (recém nascido), que ainda assim pareciam XG no seu mini corpinho com pouco mais 2,300 Kg!

Mesmo assim, passado o susto, o primeiro mês em casa foi tudo de bom! Apesar de muito mini, você estava tranquila, crescia bem e era tão linda! Linda e perfeita! Nem liguei para as dores da cesárea e ainda achei que era exagero esse negócio de não poder fazer esforço! Passei hipnotizada ao lado do seu berço, encantada, olhando cada pedacinho, cada detalhe, cada movimento, enquanto sentia a ficha cair e pensava “Ok! Agora preciso virar gente grande!”

Do segundo mês em diante entramos numa roda viva de choros desesperados e desesperadores. Médicos, exames e testes com tantos remédios diferentes que você mais parecia um ratinho de laboratório. Tudo para tentar descobrir o que fazia você sentir tanta dor.

Depois de nem sei quanto tempo (para mim pareceram 10 anos!), os pediatras e gastros chegaram a conclusão de que a lactose provavelmente era a grande vilã. Até hoje eu e seu pai temos dúvidas de que eles realmente soubessem o que estavam fazendo, mas a verdade é que você chorou muito! Tudo que pode e conseguiu. Com todas as forças que seu dois pulmõezinhos prematuros foram capazes de suportar. Bem que a enfermeira avisou, na sua primeira noite, que você era brava. Mas quem não estaria tendo que passar as primeiras horas de vida dentro de uma caixa de plástico, com dois tubos no nariz!

Ainda bem que o papai estava lá pra te dar alento. Foi só o dedo dele encontrar a sua mãozinha, que o choro imediatamente parou! Ele sempre se emociona quando lembra disso. E eu vejo essa cumplicidade ainda hoje. Mesmo que um pouco diminuída pela chegada da pré-adolescência e pelos dias corridos.

Hoje, sentada aqui, pensando em tudo que passamos juntos — primeiro nós três e, depois, nós quatro — um orgulho imenso e uma emoção maior ainda vêm junto! Impossível não transbordar do orgulho mais bobo e genuíno que existe nesse mundo toda vez que você chega e todos ao redor falam “Nossa! Como ela é linda! E está enorme, do teu tamanho já!”. Ou quando alguém comenta os talentos que você tem para o desenho e para as artes (temos boa parte de crédito nisso, eu e o seu pai!). Ou da sua inteligência do tipo “super esponja”, que sempre aprendeu tudo com uma facilidade tão grande que tenho a impressão nunca teve que usar sua capacidade no máximo. Seu sorriso fácil, tímido e maroto ao mesmo tempo, que chega de mansinho e se relaciona fácil com todo mundo. Até o seu sarcasmo afiado — que às vezes é bem malvado e vem com aquele ar desafiador e cheio de razão — no fundo, me deixa orgulhosa.

Os cachos vem de um pedido meu. Fiquei tão feliz com os meus anjos quando vi que me atenderam! São os cachos que eu nunca tive, óbvio, mas preciso admitir: ficam muito mais lindos em você! Ainda bem que aprendeu a gostar deles. E espero que, em breve, faça as pazes com o espelho também (por que adolescente tem sempre que se achar feia?!), para conseguir ver o quanto a sua beleza é gigante, a de fora e a de dentro! Um sorriso encantador. Um humor contagiante, sarcástico e inteligente. Um carinho que precisa de espaço e às vezes parece distante, mas é só chegar que ele se mostra, quente e acolhedor! Tudo morando dentro de um enorme, tímido, alegre, travesso e, muitas vezes inseguro, coração!

Sempre digo que a maior lição que tenho aprendido com a maternidade é a paciência, porque tudo que consegui ensinar para você e para Alana não chega nem perto de tudo que vocês duas têm ensinado a mim!

Por isso, quero agradecer, meu amor! Agradecer por cada pequeno momento e por todos os momentos gigantes que passamos juntas até hoje. Por toda força que você mostrou lá no começo dos seus dias… Minha menina tão pequena e frágil, com uma força tão grande que foi capaz de sustentar pai e mãe, mesmo nos piores dias!

Obrigada por cada abraço, cada beijo e cada momento de cumplicidade. Obrigada por me chamar para ajeitar suas cobertas todas as noites e rir depois das cócegas no pescoço. Por me contar o seu dia toda vez que chega da escola e lavar a louça, mesmo odiando a tarefa (herança minha também!). Por aguentar minha mania de perfeição, as rabugices e o mau humor que chega de repente.

Obrigada por ser meu espelho, onde enxergo, cada vez mais, um pouco de tudo que sou. Obrigada por ser uma das minhas guias nesse negócio enorme, desafiador e de tempo integral, que é ser mãe. Um dos meus principais objetivos nessa vida é conseguir ajudar você a encontrar a sua felicidade, porque você é uma das grandes responsáveis pela minha!

te amo

 

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