Montanha russa | Sobre ser mãe … E otras cositas más

(texto originalmente publicado no Medium, em maio/2018)

 

Abril é o mês em que acontece o primeiro aniversário aqui em casa, o da Júlia, que há alguns dias chegou nos 12.

Sempre tive vontade de fazer um diário… Deixar mensagens escritas para ela e a irmã, com coisas que me vinham à cabeça nos momentos mais inusitados. Algo como ensinamentos ou lições que eu achava importante elas aprenderem na vida, mas que ainda eram muito pequenas para entenderem.

Comecei hoje!

Em minha defesa, antes tarde do que nunca!

 

Então, a primeira coisa que quero deixar registrada diz respeito justamente ao SER MÃE.

É mesmo uma montanha russa!

Não é e não pode ser tudo na vida. É uma dureza danada, principalmente no começo (estou entrando na adolescência aqui, então, talvez ainda mude de ideia sobre isso). Te vira de pernas pro ar e te enlouquece em boa parte do tempo. Mas acho um desperdício enorme passar por essa vida sem experimentar!

Lembro de comentar com as minhas amigas, antes de engravidar, que eu tinha medo de ser uma mãe egoísta, afinal, a lista de coisas que não podemos, ou não conseguimos mais fazer, é gigante…Beeem grande mesmo! E eu tinha muitas dúvidas de que fosse capaz.

Mas, lá fomos nós!

Engravidei com 29, depois de alguns hormônios ajudando, porque a coisa estava meio demorada. E, pouco antes dos meus 30, a Júlia nasceu. Para mim, foi o hora certa (pelo pai, já teríamos pelo menos dois a essa altura). O projeto todo incluía três filhos, mas rompi o acordo e paramos na segunda, porque piripaques começaram a acontecer como resultado das noites mal dormidas (uma querida de uma labirintite me acompanha até hoje).

A Alana veio um ano antes do previsto, resultado daquelas horas em que você baixa a guarda e pensa “Só hoje… Não vai dar nada!”

Pois é… Conselho de amiga: dá sim!!! De qualquer forma, ela sempre esteve nos planos, porque filho único não era uma opção. E, apressadinha e ansiosa como é, ela não teria aguentado esperar mais tempo! Então, hoje estou convicta de que também veio no momento certo!

Com a Júlia o começo foi punk! Não achei que fosse aguentar. Lembro de uma infinidade de dias chorando e brigando com o universo, pedindo explicações sobre o porquê de termos que passar por tudo que estava acontecendo (uma alergia ao leite rendeu meses de sofrimento e, depois, várias doenças foram se alternando, decorrentes dos dias na escolinha).

Quando engravidei da Alana, o que mais escutei foi “Com tudo que vocês passaram com a Júlia, vão ter mais um?”

Claro! Pior do que foi acho difícil!

E levei tudo de boa… enjoando pra caramba — igual à primeira vez — e passando por vários pequenos perrengues, igual à primeira vez. Mas tudo bem. Encarei como parte do processo e aceitei que, se tivesse vários filhos, provavelmente minhas gestações seriam todas cheias de frescura!

Depois de tudo que passei com a Júlia, já sou craque! Dessa vez vai ser bem mais tranquilo.

Só que não!

No terceiro dia em casa, a Alana teve icterícia!

E eu surtei de novo!

Como pode?? Pra mim era um erro básico! De amadora mesmo! “Como pude deixar minha filha ficar amarela? Deixei ela pegar sol todos os dias! De onde veio isso?”

Esqueci que o vidro da janela não podia ficar fechado, porque o sol precisa incidir direto sobre o corpinho do bebê.

No terceiro mês ela começou com um barulho estranho e forte na garganta, como se fizesse força para colocar algo para fora. Fui descobrir na pediatra que era uma bronquite séria e que teríamos que usar antibióticos.

Mais uma vez fiquei desolada, me sentindo a última das mães! “Três meses de vida e já precisa de antibióticos??” Eu já tinha decidido que o erro da escolinha cedo (a Júlia foi com 4 meses) não seria cometido com a Alana, mas isso não fez diferença nenhuma, porque o vírus/ bactéria da bronquite provavelmente entrou em casa trazido da escolinha pela Júlia, que a essa altura já estava mais forte e resistente, por isso não pegou.

 

Com o passar do tempo, lentamente os perrengues foram diminuindo. Mesmo assim, noites inteiras de sono só começaram a fazer parte da rotina depois dos 5 anos da Alana.

Talvez por isso eu seja uma mãe que não tem muitas saudades da gravidez. E seria totalmente a favor de curtir os primeiros dias de recém nascido em casa, mas, assim que possível, usaria o botão “pular”, para ir direito aos 4–5 anos, quando já caminham, já sabem falar onde dói, dizer se tem fome e se querer fazer xixi ou cocô.

Arrependimento?

DE JEITO NENHUM!

Um terceiro filho me dá pânico (e olha que o medo maior nem é o de já ser velha pra isso), mas as duas filhas que tenho vieram para dar sentido à minha existência! As maiores lições dessa vida aprendi com elas, inclusive a de que sou bem menos egoísta do que achava que era.

Se uma opção me fosse dada, de passar tudo de novo ou não tê-las e viver mais tranquilamente, nem piscaria na escolha.

E o que mesmo quero deixar registrado?

Que nada nessa vida é perfeito! Idealizar — eu fiz isso muito, muito mesmo, a minha vida inteira (!) — é uma grande roubada! Procurar a perfeição, no final, só nos coloca frente a frente com nossas fragilidades e imperfeições, como seres humanos, como filhos e, mais ainda, como mães!

Se você não é e não pretende ser mãe, tudo certo! Tenho várias amigas que não querem e respeito, mas preciso confessar que tenho vontade de fazê-las mudar de ideia.

Se você é mãe, respire! Respire fundo, repetidas vezes, em vários momentos do dia. Aproveite cada segundo bom e viva ele ao máximo, porque eles valem muito mais do que os não tão bons. E quando os não tão bons aparecerem de novo, use emprestado um conselho da minha mãe, que usava quase como um mantra nas horas mais difíceis:

Tudo, um dia, passa!

E quando passar, acredite (várias mães já me disseram isso): você só lembrará das alegrias.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s