O ideal de vida que você chama de seu

Sobre saber o que você quer, o que acha que controla e a grama do vizinho

Descobri isso recentemente — que ideais de vida podem ser uma roubada!

Para alguns esses ideais já são criados lá atrás, cedo. Chegam aos 20 com a vida planejadinha e o foco é total na execução do plano. Outros vão construindo a visão ao longo do caminho.

Não sei dizer, ao certo, onde os meus ideais começaram a tomar forma. É um processo que vai acontecendo e enraizando sem a gente se dar conta. O que sei é o que acabou trazendo mais para frente: ansiedade, sofrimento e frustrações. Em situações que foram se repetindo de tempos em tempos.

Com o tempo, consegui perceber o padrão. Foi um começo. Mas daí a ser capaz de parar de brigar com o universo e tentar entender o que ele estava querendo me dizer, muita água correu por debaixo da ponte!

Vou te falar: entender os sinais é tarefa para uma vida inteira. E, antes de entender, é preciso ser capaz de enxergar; o que muitas vezes só conseguimos depois de umas chacoalhadas bem grandes… Às vezes, nem assim.

Me dei conta de que os meus ideais não vinham de quem eu sou de verdade, mas de percepções da grama do vizinho, que sempre me pareceu mais verde, convidativa e melhor de viver do que a minha.

Percebi que, o que eu queria mesmo, era que tudo fosse exatamente como eu imaginava (soa infantil, não? Mas quem nunca?), porque o que eu imaginava era perfeito, não só na minha visão, mas também na dos outros.

E, se os outros notassem que eu consegui concretizar uma vida perfeita, automaticamente o aval da perfeição seria meu também (mãe perfeita, empreendedora perfeita, dona de casa perfeita). E eu, sendo perfeita, estaria protegida de críticas, de confrontos, de julgamentos. Aprovada, segura e amada.

Assim, para seguir dentro do planejado, era só manter tudo ao redor sob controle.

Só que….

1. O plano estava baseado no ideal perfeito dos outros. Não te parece a coisa mais ilógica desse mundo? Pra não dizer burrice…

Note que esse “ideal dos outros” saiu todinho da minha cabeça, porque ninguém, em momento algum, disse sequer uma palavra ordenando que eu deveria seguir esse ou aquele modelo pré-estabelecido de vida. E faço uma aposta que você também não ouviu isso, assim, ao pé da letra. Mas, todos sabemos, as convenções são reafirmadas todo santo dia. Sem falar no pacote genético que “herdamos” sem querer.

2. Nada nessa vida é perfeito, eu sei! Juro que sei!!! Mas quem diz que isso entra no inconsciente?! Sempre fui perfeccionista, mas não tinha ideia de que tinha raízes tão profundas.

3. Controlar tudo é impossível. Eu sei disso também. E sei mais (e aposto que você também já sabe) — quanto mais você tenta, pior fica.

4. Todo mundo sabe — ou já deveria saber, a essa altura — o quanto é mais leve e prazeroso viver a vida com base na auto-honestidade. Trilhar o caminho de acordo com nossas próprias escolhas, dentro do que nos realiza de verdade…. e blá-blá-blá. Pois é… Falar é a parte fácil. Pára aí um minutinho e olha pra sua vida — você está sendo honesto consigo mesmo e fiel ao que quer de verdade? Quanto do que você escolheu realizar ou viver é seu mesmo?

Voltando aos meus ideais. Claro que eles ainda existem. Precisam existir — são eles que dão sentido ao levantar todos os dias. Se continuam os mesmos? Não. Posso dizer que estão em processo de reformulação. E isso passa por um aprendizado power: ser capaz de identificar e entender — sem medo, com honestidade e humildade (sim, precisa admitir todos os podres que vêm junto) — o que de fato é meu e o que não. Mais ainda: aceitar que sou tudo isso que vem no pacote. Que os “podres” não são podres na verdade; são sim partes de mim, que posso colocar para trabalhar em prol do meu melhor se aperfeiçoar. Integrar e não dividir (ouvi ou li em algum lugar, e adorei!).

Posso dizer que estou mais perto do que jamais estive, mas ainda tenho um bom caminho pela frente. A diferença é que agora tenho consciência de qual opinião vale à pena escutar.

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